Por Júlia Aliano
Você sabe quais são as marcas no top of mind em 2025? Deixa que eu te mostro!

Mas o que é estar no top of mind?
Significa ser a primeira marca ou empresa que vem espontaneamente à cabeça do consumidor quando ele pensa em um produto, serviço ou segmento.
E aqui vai um convite! Pegue o nome de alguma dessas marcas da tabela, faça uma breve pesquisa das campanhas que fizeram, como estão se comunicando e onde estão fazendo isso. Incrível, né?! O branding não é gerúndio a toa.
Brastemp, uma marca centenária, se reinventou com um rebranding estratégico e conquistou +14 pontos de diferenciação. BYD se destaca pelos patrocínios em grandes emissoras. Cacau Show dá um show de aparições. CIMED então… nem se fala! É o genérico que nos mostrou que definitivamente não é genérico.
Enquanto isso, muitos escritórios de advocacia ainda competem exclusivamente por preço, ignorando uma verdade: reputação é negócio.
O setor jurídico está dormindo enquanto outras indústrias de consumo a energia, constroem impérios de marca apoiados em estratégia, propósito e mensuração contínua.
Advocacia como commodity
Caminhe por qualquer mercado imobiliário de uma cidade grande. Veja quantos escritórios de advocacia dividem o mesmo andar. Todos oferecem essencialmente o mesmo serviço, todos têm sócios competentes, todos falam de excelência e nenhum é realmente lembrado.
Por que o seu cliente está com você e não com o seu concorrente do andar de cima?
A resposta é o branding como estratégia de mercado.
Lição 1: personalidade é o alicerce da reputação
De acordo com o estudo de Branding e Reputação da Anacouto de 2025: “antes de ser admirada, escolhida ou lembrada, uma marca precisa ser reconhecida e compreendida. E isso começa pela sua personalidade”.
Happy Eggs nasceu em 2021 com um propósito bem definido: tornar o mundo “livre, leve e ovo.” e, o que era só um slogan, se tornou uma personalidade definida. Verdadeira, alegre, descolada. Cada interação com a marca reflete isso. Da embalagem ao conteúdo em redes sociais, a marca fala com uma voz coerente.
O que os escritórios fazem: tratam a personalidade institucional como irrelevante. A advocacia seria sobre “seriedade jurídica”, como se competência exigisse monótono.
O que deveriam fazer: definir uma personalidade clara, um escritório que atua com startups pode ser ágil e inovador. Um que trabalha com família pode ser empático e acessível. Um que foca em compliance pode ser metódico e confiável. O ponto não é ser menos sério, é ser memorável enquanto competente.
A frase-chave do branding é verdadeira para advocacia também: marcas com identidade clara, propósito coerente e presença constante conquistam lealdade, indicação e escolha.
Lição 2: reputação (também) se constrói nas redes sociais
Duolingo conquistou a Geração Z no TikTok com humor, leveza e criatividade. Resultado: 6 milhões de seguidores, 54% de aumento em usuários ativos diários, 40% de crescimento de receita.
Duolingo não descarta a seriedade, ele só simplifica a complexidade e torna acessível o que parecia impossível.
A lição para a advocacia é tão simples quanto isso. Se 60% dos consumidores avaliam a presença digital de uma marca antes de decidir por uma compra (Statista), quanto mais essa taxa é verdadeira para clientes B2B buscando um escritório?
Quando um cliente em potencial dá um google (expressão ultrapassada?) no seu escritório, o que ele encontra?
Um site feito em 2015? Redes sociais sem atualização há meses? Ou uma presença digital que comunica propósito, expertise, cultura e valores?
Escritórios que publicam análises jurídicas contextualizadas, que explicam direito de forma acessível, que humanizam a advocacia compartilhando histórias de clientes (respeitando confidencialidade), que mostram a cultura e os valores do time, esses escritórios conquistam reputação.
Lição 3: rebranding como estratégia contínua
Brastemp tinha um problema: era sinônimo de desejo, mas corria o risco de se tornar “coisa de seus pais”. A solução não foi mudar de nome ou fazer um redesign superficial. Foi reconectar-se genuinamente com uma nova geração, atualizando identidade, linguagem e presença, sem perder o que a tornava icônica.
Para escritórios, a lição é: não é sobre trocar logo e cor, é sobre evoluir a forma como você se apresenta, se comunica e se posiciona para permanecer relevante.
Um escritório que nasceu nos anos 80, atua da mesma forma desde então, mantém a mesma estrutura hierárquica rígida e comunica-se como se ainda estivesse em 90. Não porque sua advocacia é ruim, mas porque sua reputação virou obsoleta.
Rebranding estratégico para advocacia significa reavaliar sua proposta de valor, atualizar seu discurso, inovar sua estrutura e adaptar sem perder a essência.
A verdade sobre a advocacia
A advocacia é uma profissão de excelência técnica, mas a excelência técnica é tabela de entrada, não diferencial. Toda competição de alto nível domina o técnico. O diferencial hoje é reputação, é ser lembrado, ser escolhido e ser indicado.
Reputação nasce de comunicação estratégica, identidade clara, propósito genuíno e presença consistente e essa não é uma lição de marketing rs.
O futuro é agora
Há 30 anos, Coca-Cola comunicava “felicidade e conexão.” Havaianas transformou um chinelo em ícone cultural. Nubank desburocratizou as finanças, abrindo portas para um mundo de bancos digitais.
Nenhuma dessas marcas ganhou pelo produto. Ganharam pela forma como fizeram as pessoas se sentirem.
Os escritórios que entendem isso, que reputação é tão importante quanto competência, que propósito é tão valioso quanto performance, que comunicação clara é tão essencial quanto análise jurídica profunda, esses escritórios vão dominar a próxima década.
Os outros? Vão continuar competindo por preço, perdendo para a concorrência que compreendeu o que ainda não aprenderam: as melhores ideias para advocacia talvez estejam fora da advocacia.